Meras palavras
As vezes tento escrever e não consigo..
Por mais que tente as palavras não fluem..
Não se revelam..
Não se rebelam..
Não se inventam.
As vezes não quero e elas me invadem..
Me dominam..
Me azucrinam..
Me amedrontam.
Me desafiam..
No meio do nada..
No meio da noite..
No meio da tarde..
Mesmo sem querer, me invadem.
O que são palavras?
São fontes de agua da alma?
Ou são peregrinas em busca de uma página?
Palavras..
Meras palavras..
Que me dominam e acalmam.
E os dedos insanos..
Se entrelaçam envolvendo a caneta..
E batem em teclas..
E reviram folhas.
Palavras..
O resto da alma..
O que sobrou do poeta.
Júlio Garcia - Março - 2008.
Escrito por juliogarcia às 08h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Por que vivemos cercados de coisas inuteis?
Esta semana fui convidado a escrever em um pequeno jornal. Aceitei, embora até o momento não tenha tido o prazer de pensar sobre o que escrever, já que o tema é livre. Nos últimos meses não tenho conseguido me concentrar em nada que não tenha uma relação com o recente final de meu casamento, que aos trancos e barrancos conseguiu alcançar a marca dos vinte e um anos. Isto é incrível!!
Como acontece em todos os finais, o meu aconteceu o contrário do que todo mundo apostava. Dizia-se que seria amigável e a filha ficaria com a mãe. Nada disso aconteceu, fechou o pau na hora "H" e para minha felicidade, a filha amada se colocou na trincheira ao lado do pai. Mas conversa vai, conversa vem, o caso ficou estranho. Ela foi embora e nós ficamos onde sempre estivemos: em sintonia. Então, na calada da noite era hora de rever os casos e juntar os cacos. O que virá daqui para frente? Pergunta que não cala. E a resposta sempre animadora é: Vida nova. Não a igreja.rsrsrs.
Nada mais justo do que fazer algumas reformas, pois a vida está a se treformar e não se transforma a vida de uma hora para outra sem que as coisas que te cercam também mudem. Abri os armários e joguei tudo fora, aliás, fora não, devolvi a dona das coisas sem graça. O resto foi para a calçada, onde nada fica por mais de uma hora. A cozinha foi totalmente vistoriada e sobrou muito pouco. Eu não sabia que tinha ao meu redor tanta coisa imprestável. Panelas tortas, tampas separadas, colheres sem brilho, facas sem corte, pratos mordidos e copos de massa de tomate. Pois aí surgiu a idéia de trocar os pratos por porcelana, os talheres e facas por facas que cortem. Ah os copos de massa de tomate e requeijão foram embora. Vieram vidros melhores e cristais. Taças de vinho, copos de whisky e copos longos. E veio o marceneiro e levou mais algumas peças. Hoje olhando pro velho fogão minha filha disse. -Pai, esse fogão tá enferrujando, ninguém merece, vai lá e compra aquele bonito que a gente viu. Idéia aceita imediatamente. Mais em todas essas mudanças que apenas estão na cozinha, me veio uma profunda reflexão.
Por que nós seres humanos, que nos empiriquetamos de boas roupas e andamos em bons carros, (com execçaõ do meu caso, pois ela levou o carro e fiquei de Biz, mas feliz!!), vivemos cercados de tantas quinquilharias? Pois é, que motivo tem uma mulher de ficar guardando pelos armários, vidros de maionese vazios? Por que motivo faz-se coleção de copos de requeijão? E os vidros de conserva então? Para que guardá-los? E mais estranho ainda é guardar saleiro quebrado. O pobre quebrou a aza e la estava no fundo do armário, sendo humilhado pelo outro a poucos centímetros dali. Voce duvida que isto aconteça? De uma olhada na sua casa. E fui mais além e abri a geladeira. hahahahahahahaha. Gordura usada.rsrsrs,. Pra que guardar gordura usada? E o resto do chucrute já vencido? Uma garrafa de vinho vagabundo que foi usado para fazer sagú no outono passado estava ainda por lá, pela metade. Pra que? Uma batata já brotando e várias cenouras murchas.hahahahah. Olhe bem sua geladeira, vai dizer que nunca viu um chuchu com o grelo pra fora na última gaveta? Proximo passo, o freezer. Tinha de tudo. Mais o que mais me impressionou foram as tigelas com comida pronta. Quer dizer, comida que ninguém mais iria comer. Acho que minha ex mulher estava esperando uma guerra. E pobre de mim se viesse a tal guerra, pois detesto guerra.
Aí cheguei numa gaveta onde estavam fotografias antigas, tudo bem, serviu até para recordar alguns momentos. Mas mensagem de natal da imobiliária que fica na frente de minha loja, de 1999? Calendário de fim de ano das casas bahia? Oras bolas, disse eu. Pra que guardar isso? Sem falar na camiseta da october fest de quatro anos atrás. E o santinho de um candidato da família que levou nove votos. Ainda tem mais. Hoje, já passados quase sessenta dias desde a última batalha de campo, embora a mais emocionante ainda esteja por vir, e naõ vai ser parada fácil, ela pensa que sou rico..rsrsrs. Fui para a dispensa. Agora gostaria de fazer uma pergunta a voce. Para que guardar treis chuveiros queimados? Para que gaudar um aspirador de pó queimado? Par que guardar sapatos arrebentados? Pantufas do tempo do ica, imitando um jacaré enorme? Malas sem fechaduras, zippers verdes, pedaços de fio que sobraram da instalação do ventilador de teto, que agora jaz suas pás num canto. E não fiquem pensando que sou eu o culpado, pois minha política foi sempre: Se sobrou e ninguém vai comer dê a quem tem fome, e a toda hora tem gente pedindo. Se não vai usar mais dê a quem esta precisando. Imagine que no guarda roupa, haviam quarenta e oito peças de roupa que não servem mais, inclusive minhas. Sempre dizia, tem que dar estas roupas para alguém. E ouvia. - "Ninguém me dá nada."
Se cada um de nós fossemos ver o que não usamos mais, o que não precisamos mais e o que não comemos mais e resolvessemos fazer com essas coisas inuteis para nós, motivo de doação, certamente fariamos a alegrias de muita gente. Como tenho feito nesses tempos de minha vida. Então vou parar por aqui, pois ainda tem mais na próxima, mas deixo a pergunta no ar.
"Por que vivemos cercados de coisas inuteis"?
Escrito por juliogarcia às 00h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Redescobrindo o pimentão
Hoje estou voltando á vida. Não que eu tenha morrido, mas no final do ano, meu casamento acabou. Mesmo que o final fosse necessário, doeu muito e claro, ainda vai doer um bom tempo. Quando duas pessoas não se entendem mais sob o mesmo teto a solução é, cada um procurar seu canto e tocar a vida pra frente. Existem casamentos que terminam porque o marido pegou a mulher com outro e vice e versa. O meu acabou porque nós nos encontramos dentro de casa e olhamos um na cara do outro. Então nos perguntamos: O que estamos fazendo juntos, nosso jogo acabou. Meu caro amigo (a), isso é uma decisão pra gente grande, tem que ter muita coragem, estar muito decidido, pois afinal foram vinte e um anos de convivencia, de vitórias, de derrotas, de sonhos desfeitos e outros realizados. Começamos passando fome juntos, andando de bicicleta juntos, indo ao sacolão juntos. Ainda bem que agora eu não ando mais de bicicleta. Ela sim, virou atleta, participa do audax e hoje me falou que vai entrar na Federaçãop Catarinense de Ciclismo. Fiquei feliz, se é isso que ela gosta de fazer e se propôe, que seja feliz e tenha muitas vitórias. Quanto a mim, estou livre, ou mdelhor, estou só. Mas hoje a tarde tomando um champagne em companhia de amigos que agora tem por costume me chamar todos os dias para conversar e trocar idéias, pois se preocupam comigo. Bons amigos, aquela galera que se reúne três vezes por semana no Hotel Parador estaleiro para celebrar a vida, tomar bons vinhos, boa champagne e jogar conversa fora. Foi lá, neste final de tarde que chamei a atenção de todos. Anunciei que fizera uma grande descoberta, e todos voltaram as atenções para minha pessoa com cara de sono e olhos vermelhos de tristeza. Um se empolgou e falou: - Já sei vai voltar correndo pra mulher. Nada disso respondi: Descobri nesse momento uma grande vantagem de minha separação. E tive que em seguida dizer o seguinte: Meus amigos, antes de tudo um brinde e agora quero dizer o seguinte: - Desde pequeno eu gosto muito de pimentão. E durante vinte e um anos de casado eu comi pimentão rarissimas vezes. Minha mulher odiava radicalmente o tal do pimentão. Então, de agora em diante eu posso comer pimentão em qualquer dia, basta ter vontade. rsrsrsr. Então Tom Jobim ergueu novamente a taça de champgne e brindou. Um brinde ao meu amigo Julinho. Que ele coma pimentão tantas vezes tenha vontade de agora em diante. E que sua ex mulher, jamais, em hipótese alguma, fique viúva. Voltei ao blog.. hehehehe
Escrito por juliogarcia às 02h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]

O vendedor de ilusões
A coleção de violinos austríacos repousa no canto esquerdo da ampla sala. Ao lado descansam telas inacabadas, interrompidas não sei por que motivo. O homem de ar aristocrático canfere as bebidas que deixei sobre a mesa de mármore rodeada por cadeiras brancas. Além da enorme janela esta o mar e seu infinito decorado por veleiros nevegantes na brisa do meio dia. Da porta lateral surge uma cadeira de rodas. Nela uma mulher de meia idade está inerte com o queixo encostado ao peito. Outras quatro mulheres vestidas de branco a rodeiam. Então o homem a olha e me diz. _ Esta é Eulália, minha esposa. Vive assim a três anos, teve um problema de saúde e não mais se recuperou. Tinha uma vida agitada, muito querida por todos, boa mãe, boa esposa, sempre sorridente. Agora vive assim. Estes são seus quadros inacabados, não conseguiu terminá-los, então resolvi colocá-los na sala assim mesmo. O homem olhou-me nos olhos e comentou. - O que posso fazer, a não ser esperar e tentar entender tudo isso? Fiquei calado. Desejei-lhe feliz natal e um bom ano novo, peguei o elevador e saí. Não consegui nessa manhã de sábado que antecede ao Natal ficar sem rabiscar alguma coisa no teclado. Que explicação teria eu para esse aperto que estou sentindo agora no peito? A única coisa que me caberia dizer seria repetir as palavras da minha velha e inesquessível amiga Salma Duarte. A velha Salma sempre antes do Natal dizia o seguinte. - "Antes de julgar o peso da tua cruz, tente entender o peso da cruz dos que estão ao teu redor".
Então penso no peso da cruz daquele homem que tem todos os bens materiais, todos as posições sociais desejaveis. Mora no lugar mais cobiçado da cidade, come as melhores comidas e bebe as melhores bebidas. Mas talvez seja também o mais infeliz dos homens. Aquele pobre rico homem não vai brindar pela felicidade que tem tido. O perlage da Pipper não vai descer em sua garganta como um nectar, mas sim como um liquido raro que seu dinheiro pode comprar. Certamente também não olhará para o céu na noite de Natal. Blim, Blom...
Um brinde a ilusão..
Escrito por juliogarcia às 13h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Á Carla
Perdi meu norte..
Ao ver tua roupa no chão..
A vastidão do meu oeste..
Se resumiu num lençol..
Enrolado sobre a cama.
Meu leste..
Era o verde azul dos teus olhos..
E nas ondas do teu mar, me perdi.
Me perdi, nas curvas do teu corpo..
No calor de tua boca.
Quando voltei ao mundo..
O sol brilhava..
Além da janela.
Escrito por juliogarcia às 02h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Papai Noel
Blim, blon. Acho que era assim o som do sino de minha imaginação. Tum, tum. Também creio que fosse assim o som do piano dos meus devaneios. A lua nascia ao longe, diziam que saia da aguá do além, mar. Minha mãe esperava na sala o início da Missa do Galo direto de Roma, pelo rádio. Além de mim o mundo girava, enquanto olhava o céu esperando, Papai Noel. Ele nunca vinha enquanto estava acordado, vinha sempre após adormecer na minha cama de colchão de palha de milho. A bola de futebol era o maior desejo. Pela manhã vestia minha calça curta, meu conga novo e a camisa branca. Saia pela visinhança a mostrar minha bola de futebol numero 3, pois Papai Noel nunca pode me trazer uma oficial, numero 5. Eu entendia, pois haveriam outras crianças no mundo e o dinheiro do bom velhindo era curto. Sonhava um dia andar de carro. Sonhava um dia, dirigir um caminhão. Sonhava um dia, ter uma televisão. O tempo então se encarregou de mostrar-me que tudo seria possível se eu nunca parasse de sonhar. E quantos sonhos tive eu dai por diante. Fiquei grande, e sempre na noite de natal eu olho para o céu. O mundo se transformou, as coisas se modificaram. Meu sertão banhado pelo rio foi invadido pelo progresso e resolvi deixá-lo para tráz. Hoje sou um homem feliz, vivo em contato com o mundo das coisas boas. A tarde, deixei minha loja por uns minutos e fui até um bairro duramente atingido pelas últimas chuvas. Lá pude ver com meus olhos, como será o Natal dos outros, dos que vivem lá. Não gosto da sensação de estar sendo visto por outras pessoas que acham estar na frente de alguém muito além do seu mundo. Não gosto da sensação de saber que pessoas te acham o melhor dos homens, o mais rico e mais poderoso. Era assim que me olhavam. E nada disso sou. Então entro no carro e saio em direção ao meu trabalho. Então choro. E choro pelo simples fato de aquelas pessoas não acreditarem em Papai Noel. Pois eu ainda acredito.
Escrito por juliogarcia às 01h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]

O novo Blog
Cheguei a conclusão de que meu repertório de inutilidades acabou. Não pretendo mais ficar escrevendo sobre bobagens e estou partindo para meu lado profissional. De hoje em diante e criando um blog bem mais atraente, passarei a falar sobre vinhos. Sim, vinhos. Pois nos últimos tempos tenho vivido vinhos,bebido vinhos, vendido vinhos, respirado vinhos e conhecido vinhos fantásticos. Aliado a esta bebida maravilhosa estão as comidas formidáveis que tenho tido o prazer de experimentar. São pratos criados por Cheff's que vão do grande Boris Rogochim do Parador estaleiro, do Guilhermo (Luca Bistrô), até a revelação da cozinha portuguesa do Adega&Bacalhau de Itajaí, entre outros. Essa mudança vem como a preliminar do Jornal que será lançado em março através da La Ville Vinhos, minha loja que, diga-se de passagem está se tornando uma referencia em rótulos do mundo. O projeto, já em andamento, consiste em levar até o leitor, consumidores e amantes do bom vinho sempre aliado a boa mesa, assuntos e novidades do mundo do vinho. Esta semana por exemplo estivemos em Florianópolis com um dos maiores enólogos da Europa, nada menos que Luis Soutomaior, criador do espetacular Barca Velha. Quem já tomou um Barca Velha, saberá muito bem do que estou falando, é na verdade, uma experiencia. Estaremos no ano que vem em Santiago do Chille para nossa primeira reportagem sobre a Vinicola produtora dos vinhos Amayna e Monthes Alpha, já agendamos a visita. Minha paixão por jornalismo esta cada vez mais aguçada e levando-me para o lado onde poderei conciliar trabalho e prazer ao mesmo tempo. Sendo assim, a partir desse post o Blog do Garcia será extinto. Obrigado a todos pelos amáveis comentarios e carinho, dispensados.
Em breve informarei meu novo Blog..
Um grande beijo a todos os que passaram por aqui.
Júlio Garcia.
Escrito por juliogarcia às 11h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Os puddles foram cagar
Decididamente, resolvi nesta madrugada escolher a sexta feira como dia nacional de escrever no meu blog. Desisto dos domingos pela manhã quando passa na avenida um carro com o Papai Noel jogando balas para as crianças. Acordei as 4.20 da madruga e não dormi mais. Liguei o PC e visitei vários blog's, até o do Magru, que fala em cultura e pontes que vão derrubar e casas velhas que vão demolir. Estive no Bolog da Jéssica Feller e cheguei até o outro, do Douglas, que fala sobre mentiras. Então depois disso tudo fui a cozinha e tomei um café, abri a porta da área de serviço e fiz uma coisa que há muito não fazia. Levar os dois pudlles para fazer cocô na rua. Quando abri o portão da garagem e olhei no terreno baldio, vi umas madeiras e um monte de areia, imediatamente lembrei do Magru. Caraca, vão construir na frente de minha casa. Vão derrubar um pé de mamona e destruir o capim baixo. Isso é o progresso, pensei. Mas onde meus cachorros vão cagar no futuro? Na rua só tem dois terrenos baldios, mas um tem muro. Pobres pudles, vão ter que fazer suas necessidades em cima do jornal. Voce percebeu, que sempre é o jornal que ampara a merda dos cachorros. Então fumo meu cigarro, chamo os pudlles aliviados, fecho o portão e dou quatro passos pra dentro. Viro-me então pra rua e arremesso a pituca do cigarro para que passe entre as barras de alumínio sem tocar, bingo!! Passou, mas além do portão e saindo de tráz da parede onde termina a garagem surge uma senhora, uma velha, e pasmem. A pituca do cigarro acerta em cheio a velhota. Ela resmunga, me olha e vai embora. Não pedi desculpa, mesmo porque ela não me viu jogando a pituca, portanto não poderia afirmar que tenha sido eu quem a tivesse arremessado. Ficou o dito pelo não dito, já que nada foi dito, mais foi pensado. A velha pensou. - Filho da puta, vai jogar xepa na tua mãe. Eu pensei. - Acertei a velha em cheio. Isso é o inicio da manhã de sexta feira. Não consegui chegar ao final da garagem. Ouvi um grito de chamado. - Oh vizinho, oh amigo. Olhei. - O que foi? Os pudlles já partiram em defesa, au au pra cá, au au pra lá.
Amigo! Disse o cara, com os pés no chão e a bunda no ferro da bicicleta. - Amigo, quebra um galho pra mim? Respondi, depende. Queria saber na verdade se o esquerdo ou o direito. - É que acabou a gasolina do meu carro, e o posto do meu amigo ainda não abriu, eu preciso chegar a tempo no trabalho. Como é que é? Que carro, se você tá de bicicleta? Eu não quebro galho não meu amigo, vá de bicicleta. - Ah é, então vou te rogar uma praga, disse. - Tomara que acabe a gasolina do teu carro. Olha, eu vou te rogar outra. - Vai te foder cara, vai trabalhar vai.
Minha mulher pergunta no quarto. - O cara queria dinheiro? Respondi. - Não ele queria gasolina. E ela outra vez. - Pra quê ele queria gasolina? Respondi,. Pra misturar no café é óbvio, loira. Han,han,han. rsrsrsrsrs.
Sexta feira, 23 de novembro.
6.35 da manhã - Os cachorros cagam e o dono fuma um cigarro.
6.45 - Uma senhora é atingida por uma xepa perdida em plena via pública.
7.00 - Um homem trajando calça caqui e camisa branca, barba por fazer, pede a um estranho que lhe quebre um galho.
A partir de hoje novas modalidades: Não peça pão, peça gasolina./ Bala perdida é coisa do passado, tome cuidado. Vem aí: Xepa perdida.
Então? Promete ou não promete, a sexta feira? rsrs
Escrito por juliogarcia às 07h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Ostras ao malbec com molho de hortelã.
Nos últimos tempos peguei a mania de achar que segunda feira é o melhor dia para se fazer uma boa comida em casa e por consequencia disso, tomar um bom vinho. Pode parecer bobagem, mas, já que a segunda feira é o dia em que a semana está começando, podemos muito bem aproveitar para começa-la bem. Uma janta legal na segunda pode muito bem carregar as baterias para a terça, onde realmente a semana começa. Deixemos de explicações não convincentes, já que muitos começam a semana na segunda pela manhã. Cheguei em casa depois de um dia de trabalho árduo (rsrsrs) e fui para a cozinha. Vou inventar alguma coisa, pensei.
Abri o freezer e dei da cara com duas dúzias de ostras, fechadas. As coloquei na pia e abri a torneira. Logo ouvi uma voz que dizia. - Ei cara, daqui a quarenta anos não teremos mais água. Você sabia? Respondi na lata. - Só o que me falta é daqui a quarenta anos eu ainda estar aqui com voce. rsrsr.. Risos e caretas. Pois bem, desliguei a torneira imediatamente, porque este negócio de dizer que quem manda em casa é o homem, é coisa do passado. A mulher manda sim. E prefiro que ela mande, pois me sobra muito mais tempo para fazer outras coisas. Tempo este em que estaria brigando ou discutindo. Coloquei as ostras em uma panela de ferro, grande. Em seguida voltei á geladeira, apanhei um tomate muito maduro e o coloquei em outra panela para cozinhar no intuito de tirar a pele mais tarde. Uma cebola de cabeça, média. Neste intervalo entre segar as mãos e levar a cebola até a pia, tratei de pegar uma garrafa de Finca La Céllia Malbec, safra 2002 e abri-la. Vinho muito bom. Você pode comprar este vinho na minha loja.rsrsrs. Cortei a cebola bem miudinho e tirei as sementes do tomate ja cozido. Em uma frigideira, coloquei o azeite extra virgem grego e deixei esquentar, jogando em seguida a cebola picada. O tomate ficou marinado no Malbec. Entre um gole e outro deste maravilhoso produto argentino, país que nada entende de futebol, no entanto em vinhos...Dá um banho. Coloquei sobre a pia um frasco de molho shoyo e da geladeira tirei quatro folhas de hortelã. O arroz tem que ser especial, arroz tailandês, custa quatro reais o quilo e deixa enquanto cozinha, um aroma de jasmim na cozinha. Delícioso. Tomei mais um gole do La Céllia, e tirei o caroça de quatro azeitonas pretas, graúdas. Piquei bem miudinho enquanto a cebola ficava transparente no azeite grego e as ostras soltavam o aroma marinho. Coloquei na frigideira o tomate sem peles picado e o vinho em que estava embebido, talvez a esta altura, já bebado. Fritei o tomate junto com cebola transparente e adicionei um pouco mais do vinho que estava bebendo. Adicionei ainda um pouco de shoyo e depois as folhas de hortelã. O perfume do hortela se misturou ao jasmim do arroz e ao vapor das ostras. - Que cheiro bom disse a filha. Minha loira entrou na cozinha e perguntou. - Onde aprendeu a fazer isso? Com a outra? Respondi. - Como assim com as ostras? Parece estar bom, concordou. Risos...
Tirei as ostras da casca e coloquei numa travessa de inox funda, aparelhadas uma a uma. Tá bonito, disse a filha. Com as ostras colocadas na travessa, peguei uma colher grande e joguei por cima o molho. Desliguei o arroz, ou melhor, o fogo do arroz e chamei-as para a grande janta de segunda feira.
A princípio deixei que as duas experimentasse e fiquei saboreando o La Céllia. Surpresa!!!!!!!!
Minha mulher olhou pra mim e disse. - Você nunca vai ser um Bóris da vida. Esta comida está uma merda. Por sua vez, minha filha começou a rir dizendo... --Que mico hein pai..
Não acreditei nas duas e me fiz de entendido. - Vocês não tem paladar. Que nada, as duas tinham razão. Nada combinou. Acho que foi o hortelã. Não, foi o shoyo. Que nada, foi a azeitona. Não, foi o vinho que misturado ao shoyo resultou numa mistura horrível. Foi nada disso, disse a mulher. Foi o cozinheiro. rsrsrsrsrs. Não consegui comer mais de três garfadas. Fiquei tomando o vinho e tentando arrumar uma desculpa para me livrar da gozação. Moral da história.
Minha filha esquentou o feijão do meio dia, colocou por cima do arroz de jasmim e fritou um ovo. Enquanto ela comia eu fiquei olhando, então ela me disse.
--Já sei o que você está pensando pai.
-- O que?
--Você tá morrendo de inveja de mim. rsrsrsrsrsrsrsr
A italiana esquentou o leite e colocou por cima do arroz. Ainda por cima falou.
--Que delícia!! rsrsrsrsrsrsrsrsr
Apenas tomei o vinho. E por sinal, neste momento estou tomando o ultimo gole. Que delícia de vinho.
Você não vai dormir não? Tem que ir cedo pra Floripa, não tem?
-Que nada mãe, ele agora vai escrever no blog. rsrsrsrsrsrsrsrsrsr
OBS: Nunca aceite um convite meu para comer: "Ostras ao malbec com molho de hortelã." rsrsrsrsrsr
Hora - 00:51
Escrito por juliogarcia às 22h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A facilidade dos ricos e a dificuldade dos pobres
Nesta manhã de domingo tento ajeitar meu texto. Desde que criei este blog por incentivo de amigos do jornalismo, não tinha me deparado com tanta responsalidade. Algo inusitado talvez tenha acontecido, pois recebi um comentário mesmo antes de publicar o texto. Este fator contribuiu para alavancar o assunto, pois acabei descobrindo que uma das grandes riquezas de um homem pode não estar no seu poder em relação ao dinheiro, mas sim, no simples fato de ter amigos.
E por falar em facilidades relacionadas aos ricos, ficaria aqui durante toda a manhã descrevendo-as. Mas a finalidade deste deverá ser o de não falar de dinheiro apenas, mas sim de relacionamentos. Muitas vezes não precisamos ter uma conta bancária fenomenal para ter acesso ao mundo ou coisas de que necessitamos, basta estar no lugar certo em determinado momento. Outro dia numa mesa de restaurante tomando vinhos fenomenais estavam oito homens, eu e mais sete. Somados os PIB's dos sete, daria muito bem para atravessar o mundo e ainda fazer uma viagem com a NASA. Acabamos por falar em cultura e os rumos de uma cidade que alcança o futuro atraindo para suas terras as mais variadas fortunas do país. Edificios fantásticos estão sendo construidos na orla, e mesmo sem ter a pedra fundamental colocada, os apartamentos gigantescos já foram comercializados. A discussão entrou no mérito de que a cultura que está se desenhando seja uma nova modalidade. Ao invés de se construir teatros e casas de cultura, se constrói arranhas céus onde as pessoas viverão olhando para o mar e comendo caviar. Em determinado momento abriu-se o leque de que a cidade não investe em cultura para o povo, que teria entretenimento saudável e acesso á novos conhecimentos. Quebrei o tom sério da conversa com a ultima pérola do amigo Magal, o que os fez rir, já que o mesmo afirma que: "Uma cidade sem teatro é o mesmo que uma mulher sem vagina". Levantando a taça um dos presentes se pronunciou.
--Por que uma cidade investiria dinheiro para construir teatros, se é tão simples pegar um avião no final da tarde e ir até São Paulo assistir a uma peça? Aproveita-se o tempo para jantar no DON e volta na madrugada. Este tipo de programa pode-se fazer a qualquer hora. Não precisamos de teatro.
Já tinha ouvido outras banalidades, mas essa me fez refletir sobre as facilidades que as pessoas tem. De como é fácil quem tem a seu dispor o poder do vil metal. De cara com uma deliciosa salada de perdiz, acabei por me perguntar em silencio. _ Mas, e eu? Gosto de teatro e não posso me dar a esse luxo. Os setores reunidos discutiam ainda sobre o meio ambiente, já que ali estava o responsável por liberar grandes áreas, digamos de preservação, para novas construções. Isso é fácil, disse. Depende de como se converse. Então, não basta ter o dinheiro e o projeto para um grande investimento, basta saber com quem conversar. O que se poderia tirar deste comentário? Apenas que o destino dos pequenos está nas mão e no balanço das taças dos grandes. Tudo isso seria normal não fossem as consequencias que tais ações poderão levar para dentro das casas simples. Para o caminho das crianças que vão a escola na esperança de aprender como andar no futuro, e para onde seguir. O cristal das taças produz o tilintar do brinde. -Saúde! Que a fonte nunca seque, e que nossas esposas nunca fiquem viúvas. Frase tola, mais de efeito cômico entre os presentes. A vida é uma maravilha.
Paro meu carro no sinal, na frente está um supermarcado. Um homem enpurrando a bicicleta se aproxima. Deveria eu fechar os vidros, mas não deu tempo. O homem olhou pro sinal, e percebeu que dava tempo de trocar duas palavras comigo. - Desculpe, disse. Eu não quero dinheiro, não quero remédio. As minhas mãos são calejadas do trabalho, veja. Eu quero comer, meu amigo. Eu tenho fome. Meu nome é Vanderley Vandressem. - Abriu o sinal e tive que ir embora. Não consegui chegar na próxima esquina. Fiz um balão e voltei. Estacionei e chamei Vanderley. Vem cá meu caro. Vou resolver o teu problema. Entramos no supermercado e mandei que pegasse um carrinho e me seguisse. O homem chorou. Percorremos o corredor do trigo, açucar, feijão, arroz, macarrão. Você tem filhos? Perguntei. Tenho uma menina de quatro anos, respondeu. Fui no balcão do iogurte e depois no açougue. Vanderley falou que carne fazia tempo não ver. E não queria, mas não o atendi. Carne, frango, salsichas. Temperos não precisa, insistiu. Amigo a vida também depende de tempero. No caixa, um prestobarba, então sorriu. Como é seu nome? Perguntou. Não tenho nome, sou apenas mais um homem, igual a você.
Entrei no carro, liguei e segui. Vanderley ficou no retrovisor, ajeitando as compras na velha bicicleta.
Obs: Título postado em 31/10. Texto concluído em 04/11.
Escrito por juliogarcia às 14h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A represália
A pedido de alguns amigos ligados e determinados políticos, achei por bem excluir de meu blog o texto: " O pera manca do PT".
Escrito por juliogarcia às 11h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]

O diabo era gay
Então. É sábado e o castelo do morro se prepara com seus caixões de defunto, pretos. Suas luzes medievais se acendem nas laterais da escadaria que leva ao salão. Os mercegos foram pintados na parede, as fantasias estão no armário. Os diados e as capetas se ajeitam depois de um dia de trabalho para dançar toda noite. Minha roupa preta e o chapéu de bruxa de minha mulher vão ficar no guarda roupa este ano. Decidimos de ultima hora não irmos ao baile da maçonaria deste ano. O dia foi agitado, não existe clima para diabruras esta noite, pelo menos da parte de minha bruxa preferida. Mas o que vou fazer nesta noite de sábado? Levado pela vontade de azarar talvez uma diabinha para passar o tempo e trocar truques de brucharia, resolvi com um pessoal muito mais jovem do que eu, ir até outra noite das bruxas. Estacionamos o carro num terreno baldio onde alguns mascarados bebiam antes de entrar, talvez por economia. Chegamos a porta e deixamos o nome com o porteiro, recebemos um cartão de consumo e entramos. O rock jorrava do microfone e atordoava os ouvidos. Os garfos da diabada rasgavam o espaço aéreo da boite super-lotada. Não tinha onde sentar, nem onde ficar de pé. Em meio a fumaça os copos de pina colada eram levantados além das cabeçlas para não perdermos o precioso líquido. Aos empurrões chegamos na parte externa onde conseguimos uma mesa com seis cadeiras para sentar e falar bobagens. Entre os presentes um cara do Barranco. Aliás, dois, eu também vim de lá. Não sei porque cargas dágua acabamos falando na égua que corria durante toda noite na escuridão da coivara e aparecia pela manhã exausta, com os pelos da crina trançados. Uma vez por ano a bruxa tecia longas tranças na crina da égua baia. Haviam também os homens de três metros e o fantasma do padre que assombrava os moradores depois da meia noite a cada sexta feira treze. Não saíamos á rua. A noite chegava e nos recolhiamos para ouvir os cães uivando ao longe. Assim era o Barranco dos anos sessenta.
De tantas histórias que contei, acabei por chamar a atenção de uma bruxa que ouvia com atenção. Seus olhos brilhavam e sua boca sexy mordiscava os lábios. Na mesa de trás um diabo fazia caretas acompanhado de seu súdito, o vampiro. O diabo levantou da cadeira, empunhou seu garfo e veio em nossa direção. Olhou nos olhos do meu amigo e disse.
--Voce está sob os meus poderes, disse levando o dito apetrecho até seu pescoço. Hum, pensei comigo. Isso é um diabo, uma diaba ou um diabo gay? Bingo. O diabo era gay.
Então refleti e falei pra diabinha ao meu lado.
- Eles ainda vão dominar o mundo.
-Quem os diabos?
-Não, os gays. hahahahahahahahaha.
O vampiro levantou da cadeira, pegou no braço do capeta e sairam os dois rebolando.
A zona está montada, também no inferno. Levantei o scotch em brinde e tocando as pinas coladas saldamos á todas as bruxas. A todas as bruxas maravilhosas que fazem da noite das bruxas um espetáculo inusitado e diferente.
Escrito por juliogarcia às 10h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Eu moro ao lado do Shopping
Sábado foi um dia incrível em que acabei descobrindo como nosso povo é criativo e sempre quer estar por cima, se sentir importante. Para muitos morar perto de alguma coisa importante já é o bastante. Tivemos a inauguração do monumental Balneário de Camboriú Shopping que está localizado praticamente na periferia da cidade, ou seja mais perto do Monte Alegre e Conde Vila Verde onde se concentra a grande massa trabalhadora da construção civil, do que do centro. Por lá também se concentram nossas favelas, que infelizmente abrigam o tráfego de droga, a prostituição e onde quase todos os dias temos um homicídio. O resto todos já sabem. Acontece que de uma hora para outra os moradores dessa região acabaram inventandpo outro endereço. Ontem por exemplo perguntei a um morador do citado bairro onde ele morava, e simplesmente me resppondeu. Ao lado do Shopping, mesmo sua casa ficando a uns oitocentros metros do referido centro de compras. Ao que tudo indica este gigante será daqui para frente o parque de diversões daquele povo. Eles também merecem, o que fica no ar no entanto é se todo o glamour do novo Shopping os aceitará. Taí uma boa discussão para o futuro. Proibir que por ali circulem será impossível.
O que resta no entanto é o povo do centro ficar respondendo depois, principalmente para nossos visitantes que o citado Shopping, fica no Monte Alegre. Poderemos até mudar o nome com um plebiscito para: Monte Alegre Shopping. Felicidades ao Shopping das ilusões. Acho uma ilusão devido a propaganda que se fez e faz na internet onde nossa cidade que não ultrapassa aos miseros 120.000 habitantes fixos ser anunciada com uma pópulação fixa de 475.000 e nos finais de semana chegando a 600.000 habitantes. Mentiras descaradas. Na temporada de verão avisam que chegamos a 1.500,000 habitantes. Mentira. Ainda dizem: "Acredite, esse mercado existe".
Mentira, esse mercado não existe. O que existe é um monte de gente inocente e tola acreditando que Bal. Camboriú é um eldorado. Pobres tolos os que acreditam nisso. Os mais certos até agora são o habitantes de nossas favelas, que dizem: Moramos ao lado do Shopping. Os moradores podem dizer que moram ao lado, mesmo não morando. Afinal a Almeida Júnior também diz que temos uma população muito acima do real. Alguém deve acreditar em alguém. Eu prefiro acreditar nos moradores do Monte Alegre, pois estão muito mais perto de falar a verdade quando abrem a boca.
Na praça de alimentação havia na mesa uma mulher. Até que bem vestida, com seu vestido de xita quadrejado, não fossem seus seis filhos correndo a derrubando os copos plásticos. Como diz Saramago em "A Caverna". "Bem vindos ao Shopping, a nova caverna de Platão. Lá tem de tudo".
Escrito por juliogarcia às 09h34
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A barata do 402
O interfone da recepção toca. Coloco o pino do PABX na luz que pisca indicando o número do apartamente de onde chamam. 402. Isso foi lá pelos anos oitenta, mais precisamente em 1981. Foi ontem.. Alô. Sim.
Uma voz aflita e feminina pergunta.
- É da recepçããããão?
-Sim é. Não poderia ser de outro lugar.
-Por favor vocês tem algum serviço de eliminação de insetos no hotel?
-Qual é o problema minha senhora?
Tive uma grande surpresa quando começei a ouvir gritos através do telefone.
--Socorro, socorro, tem uma barata enorme no meu quarto.
-Espere um pouco disse eu. Peguei o elevador e me dirigi ao quarto andar onde apertei a campainha do apartamento em questão de vassoura em punho. Afinal nunca se sabe o tamanho da barata. Provavelmente veio voando. Ao entrar deparei com uma mulher jovem e bonita e seu recente marido apavorados em cima da cama. No meu jeito descontraído e já querendo tirar um sarrinho, fui perguntando.
--Onde tá a barata gigante?
Apavorada e roendo as unhas a gata apenas fez sinal que o dito animal estaria debaixo da cama.
O marido, bonitão, cagão e boa pinta veio logo com uma desculpa esfarrapada.
- Eu não tenho medo de barata, eu tenho é nojo tchê.
Agora o negócio é comigo, pensei. Me agaxei e dei de cara com a enorme barata. Pior é que era grande a envernizada. Achei que seria fácil, colocaria a vassoura sobre ela e a arrastaria para fora varrendo-a até o corredor. Que nada. O pior estava por vir. Quando ela percebeu a vassoura, e certamente escolada devido ao tamanho, a maldita inventou de abrir velocidade em minmha direção. Não tive outra alternatina a não ser pular para cima da cama e me juntar ao casal apavorado. A gata ficou estarrecida ao me ver sobre a cama particamente deitado em cimas de seus pés. O marido se pronuncia.
- Mas tchê, como que tu vai ter medo dum bichinho desses?
Sai da cama enpunhei a vassoura e fui em direção ao invasor que percebendo outra vez minha investida enfiou-se atrás das cortinas.
A situação foi ficando dificil, eu queria matar o bicho, mas o bicho não dava chance para isso. A guria não se conformava e se abraçava no gaúcho. O gaúcho não podia ajudar pois estava controlando a mulher. Afinal de contas estavam em lua de mel. Por fim, usando de psicologia para insetos convenci a gigantesca e terrível barata a subir na vassoura e a coloquei pára fora da janela. Após uma sacudida, lá se foi o pobre inseto. Apavorada a guria pergunta.
-Ela pode voltar não pode? Afinal voce não a matou.
-Bem, conclui. Para evitar que isso aconteça é melhor fechar a janela.
Ela olhou pro marido e comentou.
-Não entendi nada amor, quer me explicar.
Senhores com licença.
Escrito por juliogarcia às 17h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A mulher de plástico
Há tempos, qualquer seriado de televisão tipo ajaponezados diria, traziam personagens que se modificavam para combater um monstro extraterrestre que destruia a cidade fazendo de grandes edifícios meras caixinhas de fósforo. Eram os mutantes em ação. Nos tempos atuais dramas televisivos nos trazem o mesmo tema como resultados de experiencias médicas em novelas transmitidas no horário nobre. Mas deixemos de lado a ficção. Se prestarmos atenção em nossa volta poderemos constatar que já existem entre nós esses seres. Os mutantes já estão andando pelas ruas. Foi assim..
Nada mais gostoso de se olhar, a jovem mulher que encontrei no domingo a tarde. Seu caminhar pelo corredor entre as garrafas expostas deixava qualquer um de cabelo em pé. Não assustado, mais convencido de que jamais tinha visto algo igual. O corpo esbelto e os seios de tamanho perfeito, para delírios de olhos masculinos. Os lábios carnudos e o olhar felino faziam daquele corpo um verdadeiro show, sobre pernas roliças vestidas no carmim. As mãos macias acariciavam os objetos que desejava com levesa e charme. De tanto desviar o olhar para não ser incoveniente, cansei, resolvi então encarar de perto. Puxei conversa e fixei o olhar nos seus olhos, correndo pelos lábios brilhantes do glos e percorrendo toda face acabei por constatar que aquela mulher não era real. As marcas de enchimento na parte exterior da boca e pescoço eram visíveis. Deixando cair o olhar sobre parte dos seios engolidos pela fina malha, tive certeza, era uma mutante. Tudo na mulher era superficial, até a maneira de se expressar. Um delírio em forma de ser humano. Um ser humano em forma de beleza. Fica até dificil descrever, pois ao mesmo tempo que era real e maravilhosa, era também um produto que está a venda em qualquer clínica de cirurgia plástica. Quanto custa a beleza? Será preciso ser uma mutante para chamar a atenção dos outros e se colocar em um pedestal de beleza? Quanto vale a beleza construída em laboratório?
Estaremos nós no futuro que jamais cremos fosse acontecer? Os mutantas então sairam das páginas dos gibis e dos seriados e estão andando entre nós?
Eu poderia dizer que sim, pois estive por alguns minutos en contato com uma. Real, de carne, osso e próteses.
Amanhã ela poderá mudar tudo outra vez. Diminuir os seios, a boca, a bunda, as pálpebras. Só não poderá aquela beleza ambulante e superficial controlar o tempo, que sem duvida alguma irá corroer a tudo e transformá-la um dia, em pó.
Escrito por juliogarcia às 11h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|