Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




BLOG DO GARCIA
 


A facilidade dos ricos e a dificuldade dos pobres

Nesta manhã de domingo tento ajeitar meu texto. Desde que  criei este blog por incentivo de amigos do jornalismo, não tinha me deparado com tanta responsalidade. Algo inusitado talvez tenha acontecido, pois recebi um comentário mesmo antes de publicar o texto. Este fator contribuiu para alavancar o assunto, pois  acabei descobrindo que uma das grandes riquezas de um homem pode não estar no seu poder em relação ao dinheiro, mas sim, no simples fato de ter amigos.

E por falar em facilidades relacionadas aos ricos, ficaria aqui durante toda a manhã descrevendo-as. Mas a finalidade  deste  deverá ser o de  não falar de dinheiro apenas, mas sim de relacionamentos. Muitas vezes não precisamos ter uma conta bancária  fenomenal para ter acesso ao mundo ou coisas de que necessitamos, basta estar no lugar certo em determinado momento. Outro dia numa mesa de restaurante tomando vinhos fenomenais estavam oito homens, eu e mais sete. Somados os PIB's dos sete, daria muito bem  para atravessar o mundo e ainda  fazer uma viagem com a NASA. Acabamos por falar em cultura e os rumos de uma cidade que alcança o futuro atraindo para suas terras as mais variadas fortunas do país. Edificios fantásticos estão sendo construidos na orla, e mesmo sem ter a pedra fundamental colocada, os apartamentos gigantescos já foram comercializados. A discussão entrou no mérito de  que  a cultura que está se desenhando seja uma nova modalidade. Ao invés de se construir teatros e  casas de cultura, se constrói arranhas céus onde as pessoas viverão olhando para o mar e comendo caviar. Em determinado momento abriu-se o leque de que a cidade não investe em cultura para o povo, que teria  entretenimento saudável e acesso á novos conhecimentos. Quebrei o tom  sério da conversa com a ultima pérola do amigo Magal, o que os fez rir, já que o mesmo  afirma que: "Uma cidade sem teatro é o mesmo que uma mulher sem vagina". Levantando a taça um  dos presentes se pronunciou.

--Por que uma cidade investiria dinheiro para construir teatros, se é tão simples pegar um avião no final da tarde e  ir até São Paulo assistir a uma peça? Aproveita-se o tempo para jantar no DON e  volta na madrugada. Este tipo de programa pode-se fazer a qualquer hora. Não precisamos de teatro.

Já tinha ouvido outras banalidades, mas essa me fez  refletir sobre as facilidades que as pessoas tem. De como é  fácil quem tem  a seu dispor o poder do vil metal.  De cara com uma deliciosa salada de perdiz, acabei por me perguntar em silencio. _ Mas, e eu? Gosto de teatro e não posso me dar a esse luxo. Os setores  reunidos discutiam ainda sobre o meio ambiente, já que ali estava o  responsável por liberar grandes áreas, digamos de preservação, para novas construções. Isso é fácil, disse. Depende de como se converse. Então, não basta ter o dinheiro e o projeto para um grande investimento, basta saber com quem conversar. O que se poderia  tirar deste comentário? Apenas que o destino dos pequenos está nas mão e no balanço das taças dos grandes. Tudo isso seria normal não fossem as consequencias que tais ações   poderão levar para dentro das casas simples. Para o caminho das crianças que vão a escola na esperança de  aprender como andar  no futuro, e para onde seguir.  O cristal das taças produz o tilintar do brinde. -Saúde!  Que a fonte nunca seque, e que nossas esposas nunca fiquem viúvas. Frase tola, mais de efeito cômico entre os presentes. A vida é uma maravilha.

Paro meu carro no sinal, na frente  está um supermarcado. Um homem enpurrando a bicicleta se aproxima. Deveria eu fechar os vidros, mas não deu tempo. O homem olhou pro sinal, e percebeu que dava tempo de trocar duas palavras comigo. - Desculpe, disse. Eu não quero dinheiro, não quero remédio. As minhas mãos são calejadas do trabalho, veja. Eu quero comer, meu amigo. Eu tenho fome. Meu nome é Vanderley Vandressem. - Abriu o sinal e tive que ir embora. Não consegui chegar na próxima esquina. Fiz um balão e voltei. Estacionei e chamei  Vanderley. Vem cá meu caro. Vou resolver o teu problema. Entramos no supermercado e  mandei que pegasse um carrinho e me seguisse. O homem chorou. Percorremos  o corredor do trigo, açucar, feijão, arroz, macarrão. Você tem filhos? Perguntei. Tenho uma menina de quatro anos, respondeu. Fui no balcão do iogurte e depois no açougue. Vanderley falou que carne fazia tempo não ver. E não queria, mas não o atendi. Carne, frango, salsichas.  Temperos não precisa, insistiu. Amigo a vida também depende de tempero. No caixa, um prestobarba, então sorriu. Como é seu nome? Perguntou. Não tenho nome, sou apenas mais um homem, igual a você.

Entrei no carro, liguei e segui. Vanderley ficou no retrovisor, ajeitando  as compras na velha bicicleta.

Obs: Título postado em 31/10. Texto concluído em 04/11.



Escrito por juliogarcia às 14h05
[] [envie esta mensagem
] []





A represália

A pedido de alguns amigos ligados e determinados políticos,  achei por bem excluir de meu blog o texto: " O pera manca do PT".



Escrito por juliogarcia às 11h20
[] [envie esta mensagem
] []





O diabo era gay

Então. É sábado e o castelo  do morro se prepara com seus caixões de defunto, pretos. Suas luzes medievais se acendem nas laterais da escadaria que  leva ao salão. Os mercegos foram pintados na parede, as fantasias estão no armário. Os diados e as capetas se ajeitam depois de um dia de trabalho para dançar toda noite. Minha roupa preta e o chapéu de bruxa de minha mulher vão ficar no guarda roupa este ano. Decidimos  de ultima hora não irmos ao baile da maçonaria deste ano. O dia foi agitado, não existe clima para diabruras esta noite, pelo menos da parte de minha  bruxa preferida. Mas o que vou fazer nesta noite de sábado?  Levado pela vontade de azarar talvez uma diabinha para passar o tempo e trocar  truques de brucharia, resolvi com um pessoal muito mais jovem do que eu, ir até outra noite das bruxas. Estacionamos o carro num terreno baldio onde alguns mascarados bebiam antes de entrar, talvez por economia. Chegamos a porta e deixamos o nome com o porteiro, recebemos um cartão de consumo e entramos. O rock jorrava do microfone e  atordoava os ouvidos. Os garfos da diabada rasgavam o espaço aéreo da boite super-lotada. Não tinha onde sentar, nem onde ficar de pé. Em meio a fumaça os copos de pina colada eram levantados além das cabeçlas para não perdermos o precioso líquido. Aos empurrões chegamos na parte externa onde conseguimos uma mesa com seis cadeiras para sentar e falar bobagens. Entre os presentes um cara do Barranco. Aliás, dois, eu também vim de lá. Não sei porque cargas dágua acabamos falando na égua que corria durante toda noite na escuridão da coivara e aparecia pela manhã exausta, com os pelos da crina trançados. Uma vez por ano a bruxa tecia longas tranças na crina da égua baia. Haviam também os homens de três metros e o fantasma do padre que assombrava os moradores depois da meia noite a cada sexta feira treze. Não saíamos á rua. A noite chegava e nos recolhiamos para ouvir os cães uivando ao longe. Assim era o Barranco dos anos sessenta.

De tantas histórias que contei, acabei por chamar a atenção de uma bruxa que ouvia com atenção. Seus olhos brilhavam e sua boca sexy mordiscava os lábios. Na mesa de trás um diabo fazia caretas acompanhado de seu súdito, o vampiro. O diabo levantou da cadeira, empunhou seu garfo e veio em nossa direção. Olhou nos olhos do meu amigo e disse.

--Voce está sob os meus poderes, disse levando  o dito apetrecho até seu pescoço. Hum, pensei comigo. Isso é um diabo, uma diaba ou um diabo gay? Bingo. O diabo era gay.

Então refleti e falei pra diabinha ao  meu lado.

- Eles ainda vão dominar o mundo.

-Quem os diabos?

-Não, os gays. hahahahahahahahaha.

O vampiro levantou da cadeira, pegou no braço do capeta e sairam os dois rebolando.

A zona está  montada, também no inferno. Levantei o scotch em brinde e tocando  as pinas coladas saldamos á todas as bruxas. A todas as bruxas maravilhosas que fazem da noite das bruxas um espetáculo inusitado e diferente.



Escrito por juliogarcia às 10h33
[] [envie esta mensagem
] []





Eu moro ao lado do Shopping

Sábado foi um dia incrível em que acabei descobrindo como nosso povo é criativo e sempre quer estar por cima, se sentir importante. Para muitos morar perto de alguma coisa importante já é o bastante. Tivemos a inauguração do monumental Balneário de Camboriú Shopping que está localizado praticamente na periferia da cidade, ou seja mais perto do Monte Alegre e Conde Vila Verde onde se concentra a grande massa trabalhadora da construção civil, do que do centro. Por lá também se concentram nossas favelas, que infelizmente abrigam o tráfego de droga, a prostituição e onde quase todos os dias temos um homicídio. O resto  todos já sabem. Acontece que de uma hora para outra os moradores dessa região  acabaram inventandpo outro endereço. Ontem por exemplo perguntei a um  morador do citado bairro onde ele morava, e simplesmente me resppondeu. Ao lado do Shopping, mesmo sua casa ficando a uns oitocentros metros do referido centro  de compras.  Ao que  tudo indica este  gigante será daqui para frente o parque de diversões daquele povo. Eles também merecem, o que fica no ar  no entanto é se todo o glamour do novo Shopping os aceitará. Taí uma boa discussão para o futuro. Proibir  que por ali circulem será impossível.

O que resta no entanto é o povo do centro  ficar respondendo depois, principalmente para  nossos visitantes que o citado Shopping, fica no Monte Alegre. Poderemos até mudar o nome com um plebiscito para: Monte Alegre Shopping. Felicidades ao Shopping  das ilusões. Acho uma ilusão devido a propaganda que se fez e faz na internet onde nossa cidade que não ultrapassa aos miseros 120.000 habitantes fixos ser anunciada com uma pópulação fixa de 475.000 e nos finais de semana chegando a 600.000 habitantes. Mentiras descaradas. Na temporada de verão avisam que chegamos a 1.500,000 habitantes. Mentira. Ainda dizem: "Acredite, esse mercado existe".

Mentira, esse mercado não existe. O que existe é um monte de gente inocente e tola acreditando que Bal. Camboriú é um eldorado. Pobres tolos os que acreditam nisso. Os mais certos até agora são o habitantes de nossas favelas, que dizem: Moramos  ao lado do Shopping. Os moradores podem dizer que moram ao lado, mesmo não morando. Afinal a Almeida Júnior também diz que temos uma população muito acima do real. Alguém deve acreditar em alguém. Eu prefiro acreditar nos moradores do Monte Alegre, pois estão muito mais perto de falar a verdade quando abrem a boca.

 Na praça de alimentação havia na mesa uma mulher. Até que bem vestida, com seu vestido de xita quadrejado, não fossem seus seis filhos correndo a derrubando os copos plásticos. Como  diz Saramago em "A Caverna". "Bem vindos ao Shopping, a nova caverna de Platão. Lá tem de tudo". 



Escrito por juliogarcia às 09h34
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]