A barata do 402
O interfone da recepção toca. Coloco o pino do PABX na luz que pisca indicando o número do apartamente de onde chamam. 402. Isso foi lá pelos anos oitenta, mais precisamente em 1981. Foi ontem.. Alô. Sim.
Uma voz aflita e feminina pergunta.
- É da recepçããããão?
-Sim é. Não poderia ser de outro lugar.
-Por favor vocês tem algum serviço de eliminação de insetos no hotel?
-Qual é o problema minha senhora?
Tive uma grande surpresa quando começei a ouvir gritos através do telefone.
--Socorro, socorro, tem uma barata enorme no meu quarto.
-Espere um pouco disse eu. Peguei o elevador e me dirigi ao quarto andar onde apertei a campainha do apartamento em questão de vassoura em punho. Afinal nunca se sabe o tamanho da barata. Provavelmente veio voando. Ao entrar deparei com uma mulher jovem e bonita e seu recente marido apavorados em cima da cama. No meu jeito descontraído e já querendo tirar um sarrinho, fui perguntando.
--Onde tá a barata gigante?
Apavorada e roendo as unhas a gata apenas fez sinal que o dito animal estaria debaixo da cama.
O marido, bonitão, cagão e boa pinta veio logo com uma desculpa esfarrapada.
- Eu não tenho medo de barata, eu tenho é nojo tchê.
Agora o negócio é comigo, pensei. Me agaxei e dei de cara com a enorme barata. Pior é que era grande a envernizada. Achei que seria fácil, colocaria a vassoura sobre ela e a arrastaria para fora varrendo-a até o corredor. Que nada. O pior estava por vir. Quando ela percebeu a vassoura, e certamente escolada devido ao tamanho, a maldita inventou de abrir velocidade em minmha direção. Não tive outra alternatina a não ser pular para cima da cama e me juntar ao casal apavorado. A gata ficou estarrecida ao me ver sobre a cama particamente deitado em cimas de seus pés. O marido se pronuncia.
- Mas tchê, como que tu vai ter medo dum bichinho desses?
Sai da cama enpunhei a vassoura e fui em direção ao invasor que percebendo outra vez minha investida enfiou-se atrás das cortinas.
A situação foi ficando dificil, eu queria matar o bicho, mas o bicho não dava chance para isso. A guria não se conformava e se abraçava no gaúcho. O gaúcho não podia ajudar pois estava controlando a mulher. Afinal de contas estavam em lua de mel. Por fim, usando de psicologia para insetos convenci a gigantesca e terrível barata a subir na vassoura e a coloquei pára fora da janela. Após uma sacudida, lá se foi o pobre inseto. Apavorada a guria pergunta.
-Ela pode voltar não pode? Afinal voce não a matou.
-Bem, conclui. Para evitar que isso aconteça é melhor fechar a janela.
Ela olhou pro marido e comentou.
-Não entendi nada amor, quer me explicar.
Senhores com licença.
Escrito por juliogarcia às 17h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|